Saúde e Bem Estar

Tânia Maria e o poder de se reinventar

Data de Publicação: 23/01/26

Você acha que idade é impeditivo para tentar coisas novas?

Pois para a atriz Tânia Maria, de 79 anos, isso não é um problema. Nascida na zona rural de Parelhas, Rio Grande do Norte, ela construiu sua vida através do trabalho como costureira e artesã, profissão que sustentou sua família por várias décadas. Até que, em 2019, após ser figurante nas gravações de Bacurau, filme de Kleber Mendonça Filho, sua vida começou a mudar.

Kleber ficou encantado com o carisma na atuação de Tânia, que revelava um talento até então não explorado. Em 2025, o diretor escalou a potiguara para um papel de destaque no seu novo filme, O Agente Secreto, obra se tornou um fenômeno na última temporada de premiações, e agora concorre a 4 categorias do Oscar – incluindo melhor elenco, com grande influência da personagem vivida por Tânia, Dona Sebastiana.

Com o sucesso internacional, ela viu sua vida mudar da noite para o dia. Antes de participar da figuração de Bacurau, aos 72 anos, Tânia nunca tinha visto um filme no cinema. “Nunca pensei em ser atriz, pensava em ser artesã. Minha vida mudou da água para o vinho. Minha vida agora é outra e é muito bom viver”, ela contou em uma entrevista para a CNN Brasil.

Tânia abraçou essa nova fase com toda a dedicação, enfrentando desafios que, para pessoas ainda mais jovens, poderiam parecer grandes demais. Estudou roteiro, se adequou à agenda de gravações, à exposição pública e até decidiu parar de fumar, após mais de 60 anos de tabagismo. A mudança foi motivada pela possibilidade de viajar para as grandes premiações internacionais, já que o hábito a impedia de realizar voos longos. 

Tânia ganhou a simpatia do público por mostrar sua essência sem as amarras da perfomance.

A história de Tânia Maria é um lembrete poderoso de que não existe prazo de validade para se reinventar. Envelhecer não precisa ser sinônimo de estagnação – enquanto houver vontade, curiosidade e coragem, existe um universo de possibilidades para se explorar.

Em um artigo escrito para a Elos, Jurandir Sell fala sobre nunca ser tarde para primeiras vezes. Para Jurandir, não existe um “prazo de validade” para recomeçar; o que existe é a crença limitante de que certas experiências pertencem apenas à juventude. Vivemos hoje uma realidade em que a expectativa de vida e a qualidade dela são muito maiores do que há algumas décadas, e isso vem transformando o significado de fazer algo pela primeira vez, mesmo depois dos 50, 60 ou mais.

Assim como Tânia, que encontrou uma nova vocação em um set de cinema já depois dos 70, a mensagem é  clara: o novo não pertence apenas a quem é jovem. A idade deixa de ser um obstáculo e se torna apenas um número no calendário, um marcador de experiências acumuladas, não de portas fechadas.

Seja aprender um instrumento, começar um esporte, estudar uma nova língua ou simplesmente reinventar um hábito da sua rotina,  o novo depende apenas da disposição de começar – essa que, muitas vezes, nasce com a maturidade. Com o tempo, ganhamos mais clareza sobre quem realmente somos e mais autonomia para escolher nosso próprio caminho.

Brenda Lopes

Analista de Comunicação e Marketing na ELOS. Formada em Marketing e graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).