Na ELOS, inovar deixou de ser apenas uma agenda de modernização para se tornar um fator estratégico de sustentabilidade, governança e eficiência. Em um cenário de maior complexidade regulatória, circulação cada vez mais rápida de informações, necessidade de decisões mais qualificadas, soluções e interações mais personalizadas e demanda crescente por transparência, a inovação passou a influenciar diretamente a forma como os investimentos são analisados, monitorados e geridos.
A incorporação de soluções baseadas em automação, análise de dados, programação e integração de informações vem ampliando a capacidade da Entidade de tomar decisões com mais agilidade, rastreabilidade e segurança. Na prática, isso significa reduzir atividades operacionais repetitivas, mitigar riscos, aprimorar controles e liberar mais tempo da equipe para análises estratégicas e acompanhamento de cenários.
Historicamente, a gestão de investimentos exige disciplina técnica, visão de longo prazo e aderência rigorosa às políticas internas e à regulação. Nos últimos anos, porém, o volume de dados disponíveis e a velocidade de circulação das informações cresceram significativamente. Nesse novo contexto, a tecnologia tornou-se uma aliada essencial para transformar dados em inteligência e apoiar uma governança mais robusta.
Um dos principais desafios enfrentados pela Gerência de Investimentos da ELOS era a grande quantidade de dados a serem tratados e a existência de rotinas operacionais extensas, que demandavam muitas horas de trabalho e aumentavam o risco operacional. Esse cenário gerava retrabalho e reduzia a disponibilidade da equipe para atividades mais analíticas e voltadas à estratégia de investimentos.
A partir do início de 2024, a ELOS passou a adotar uma nova forma de análise e apresentação de dados, com a utilização do Power BI nas apresentações mensais aos órgãos colegiados e de governança. A adoção de dashboards interativos trouxe mais eficiência à consolidação e à atualização das informações, além de ampliar a transparência dos dados apresentados. Com isso, os processos de acompanhamento ganharam maior dinamismo, clareza e capacidade de análise.

Como parte da busca por melhoria contínua, também estamos avançando na consolidação da base de dados em um Data Lake hospedado na Amazon Web Service (AWS), integrado diretamente ao sistema Mitra, da Luz Soluções Financeiras. Essa iniciativa tem como objetivo integrar informações de forma mais confiável, escalável e robusta, reduzindo riscos operacionais e elevando a eficiência da rotina da área de investimentos.
A transformação também chegou às movimentações financeiras. Somente em 2025, a Gerência de Investimentos realizou 2.367 boletas de aplicações e resgates, o equivalente a uma média de aproximadamente dez operações por dia. Atualmente, 82% dessas movimentações já são executadas de forma automatizada, reduzindo significativamente erros, retrabalho e tempo dedicado às rotinas operacionais. A meta estabelecida no planejamento estratégico da área é elevar esse índice para pelo menos 95% até o final de 2026.
À medida que os processos se tornaram mais estruturados e integrados, a ELOS também ampliou sua capacidade de análise comparativa. Novas métricas passaram a apoiar a avaliação do posicionamento da estratégia de investimentos da Fundação em relação ao mercado. Além disso, a área passou a acompanhar mensalmente o desempenho de entidades abertas de previdência complementar, incorporando novas referências às análises internas e enriquecendo o processo de tomada de decisão.
No campo do monitoramento, a Gerência de Investimentos realiza, semestralmente, o acompanhamento dos gestores. Essa iniciativa permite avaliar, de forma quantitativa e qualitativa, o desempenho dos fundos investidos em diferentes janelas temporais, 12, 24 e 36 meses, a partir da elaboração de rankings comparativos com fundos de características semelhantes. Caso determinado fundo apresente desempenho inferior à mediana no período analisado, ele poderá ser submetido a resgates graduais, podendo chegar ao resgate total se a performance insatisfatória persistir durante esse período.
Esse modelo de acompanhamento tem se mostrado uma ferramenta relevante para a governança dos investimentos, ao oferecer critérios objetivos, maior disciplina de monitoramento e suporte técnico às decisões. Mais do que automatizar processos, a inovação tem contribuído para qualificar o julgamento técnico e fortalecer a gestão baseada em dados.
Com processos mais estruturados e bases de dados consolidadas, a Inteligência Artificial (IA) também passou a apoiar diferentes atividades da área. Hoje, ela é utilizada no desenvolvimento de códigos, em processos de conciliação bancária e na elaboração de relatórios de análises a partir de grandes volumes de dados.
Para apoiar esse avanço de forma responsável, a Fundação conta com um Comitê de IA, estruturado em frentes voltadas a projetos, treinamentos e governança. O objetivo é ampliar o acesso dos colaboradores às ferramentas de IA e fortalecer o conhecimento sobre seu uso, preparando as equipes para aplicar essa tecnologia de forma segura, ética e alinhada às necessidades da organização.
Ao mesmo tempo em que amplia possibilidades, a inovação exige maturidade institucional. Inovar não significa substituir a análise técnica, mas aprimorá-la por meio de ferramentas mais eficientes, informações confiáveis, supervisão humana e critérios bem definidos.
Hoje, a inovação já não é uma pauta secundária. Ela faz parte da construção de uma gestão de investimentos mais resiliente, transparente e preparada para lidar com desafios cada vez mais complexos. Em um setor orientado pelo longo prazo, evoluir tecnologicamente também significa ampliar a capacidade de proteger o patrimônio previdenciário, aprimorar a governança e fortalecer a confiança de participantes, assistidos e patrocinadores.

Nicolas Uraguti
Analista de Investimentos da ELOS.