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Inovação Aberta na Prática: como o ecossistema de startups está transformando a forma de inovar 

Data de Publicação: 01/07/26

O conceito de inovação aberta surgiu em 2003, em uma publicação do professor norte-americano Henry Chesbrough. Antes da inovação aberta, o modelo predominante de inovação era próprio e dependia exclusivamente de seus departamentos de pesquisa e desenvolvimento. As empresas identificavam um problema, mobilizavam seus recursos e desenvolviam suas próprias respostas. 

A velocidade da evolução e da transformação tecnológica nos últimos anos, a chegada da inteligência artificial, a constante mudança nos mercados e organizações fez com que a adaptação e acompanhamento dessas mudanças se tornassem quase impossíveis para as organizações acompanharem por conta própria em todas essas frentes. 

Foi nesse contexto que a inovação aberta ganhou relevância. 

Neste novo paradigma, as empresas podem utilizar de tecnologias, ideias, soluções e parcerias externas para acelerar seu desenvolvimento. Não havendo necessidade de fazer tudo sozinha e focando na descentralização e no desenvolvimento colaborativo. 

Mas, em segmentos muito regulados e tradicionais, como o da previdência complementar, ainda havia uma pergunta importante: vale a pena investir em inovação aberta? 

Pela nossa experiência, sim. E, entre os retornos obtidos, a contratação de uma startup acaba sendo apenas uma parte do ganho. O maior valor está no aprendizado, na mudança de cultura e na ampliação da capacidade de encontrar novas soluções para problemas concretos. 

O desafio de inovar em um setor altamente regulado 

Aqui na ELOS, assim como as demais Entidades Fechadas de Previdência Complementar, operamos em um ambiente onde governança, segurança e conformidade regulatória são elementos essenciais e parte de suas rotinas. 

À primeira vista, inovação e previdência são conceitos distantes, mas na prática, ocorre justamente o contrário. 

A necessidade de eficiência operacional, a transformação digital e a experiência do participante exigem constante evolução das entidades de previdência. 

O desafio não é inovar, mas inovar com responsabilidade. 

E na busca de um equilíbrio, iniciamos a participação em programa estruturado de inovação aberta. 

Primeira lição: inovação aberta não se resume a contratar startup 

Quando uma organização ingressa em um programa de inovação aberta, a expectativa está em resolver um desafio interno com a contratação de uma solução. 

Essa é uma visão limitada, o principal valor e ganho com a inovação aberta está na aproximação com o ecossistema. 

Ao participar de eventos, lançamento de desafios, rodadas de conexão e processos de seleção, passamos a ter contato com dezenas de empresas que enxergam problemas sob perspectivas completamente diferentes das nossas. 

Essa troca amplia repertórios, provoca reflexões e ajuda a identificar oportunidades que muitas vezes não eram percebidas ou não estavam no radar da organização. 

A colaboração entre organizações e startups gera ganho significativo quando existe uma troca efetiva de conhecimento e construção conjunta de soluções. 

Segunda lição: um desafio gera múltiplos resultados 

Considerar o resultado de um programa de inovação aberta apenas pela startup vencedora é um equívoco comum. 

Um desafio costuma gerar diversos desdobramentos positivos ao longo do ciclo do programa. São feitos contatos com diversas startups com potencial para se tornarem fornecedoras e parceiras tecnológicas de futuros desafios. 

Temos a troca de conhecimento e a construção de uma rede de relacionamento, que poderá ser ativada nos momentos certos. 

O envolvimento do time de colaboradores, de diferentes áreas de atuação, fortalece a cultura de inovação e traz novos desafios, realimentando o programa. 

O retorno não se revela apenas ao fim do desafio; ele é construído ao longo de toda a jornada. 

Terceira lição: a velocidade importa 

Uma característica das startups é a capacidade de adaptação. 

Em contrapartida com as organizações tradicionais, com estrutura robusta e processos em muitas etapas, as startups, na maioria das vezes, operam com equipes reduzidas, com ciclos ágeis de desenvolvimento e foco em resolução de problemas. 

Muitas startups conseguem desenvolver provas de conceitos, testar e validar hipóteses e soluções numa velocidade que seria difícil de ser alcançada nos modelos tradicionais de gestão. 

Essa capacidade de experimentação é um dos grandes benefícios dos programas de inovação aberta. 

Quais foram os ganhos na ELOS? 

Após os primeiros ciclos de programa, percebemos que os ganhos mais relevantes não foram apenas tecnológicos. 

Houve um importante impacto cultural, com as equipes discutindo mais sobre inovação. Os colaboradores começaram a enxergar desafios internos como oportunidades de transformação. 

Talvez o principal resultado tenha sido a construção de uma mentalidade mais aberta à experimentação. 

Inovação aberta não é apenas uma ferramenta de prospecção tecnológica, é um instrumento de transformação cultural. 

Diogo, Ana Letícia, Laiz e Honda representando nosso time no evento de inovação – Foto: Luiz Honda

O futuro da inovação aberta na previdência complementar 

A previdência complementar vive um momento de profundas transformações. Inteligência artificial, automação, análise de dados, personalização da experiência do participante e novos modelos digitais estão redefinindo a forma como as entidades operam, se relacionam com seus públicos e entregam valor. 

Nenhuma organização conseguirá acompanhar essa evolução isoladamente. A capacidade de construir conexões com startups, universidades, hubs de inovação e outros parceiros será cada vez mais um diferencial competitivo. 

A inovação aberta não substitui a estratégia da organização, ela potencializa sua capacidade de execução. 

Ao final, o maior resultado talvez não seja a startup contratada, a prova de conceito realizada ou a tecnologia implementada. O maior resultado é desenvolver uma organização capaz de aprender continuamente com o ecossistema ao seu redor. 

Em um mundo onde a mudança é constante, a capacidade de aprender pode ser a inovação mais valiosa de todas. 

Luiz Honda

Gerente de Tecnologia da Informação da ELOS. Bacharel em Sistemas de Informação pela UFSC e MBA em Project Management pela FGV.