Há séculos, a humanidade se fascina com a juventude e a beleza. Definir o que é “belo” representa um desafio, pois esse conceito varia entre culturas e épocas. Ainda assim, permanece no centro das atenções de filósofos, cientistas e, atualmente, de toda a indústria da estética.
Se recorremos às explicações de Darwin sobre a evolução, percebemos que atrair parceiros sempre foi crucial para a sobrevivência das espécies. Cada um de nós só está aqui porque incontáveis gerações de antepassados se reproduziram, escolhendo parceiros jovens e saudáveis para garantir a transmissão de seus genes. Paralelamente, valores culturais — como a associação entre pele clara e riqueza na Europa renascentista ou a preferência por mulheres mais encorpadas em sociedades árabes — moldaram, em diferentes épocas, o que se considerava ideal em termos de beleza.
Ainda assim, certos traços parecem transcender fronteiras: a simetria facial, por exemplo, tende a ser considerada atrativa em praticamente todas as culturas. Leonardo da Vinci já perseguia proporções perfeitas em seu Homem Vitruviano, e essa busca continua até hoje, quando programas de computador analisam o rosto de celebridades. Gisele Bündchen, por exemplo, é citada como dona de uma simetria quase impecável, enquanto concursos de beleza elegem pessoas com “proporções perfeitas” — como ocorreu com Florence Colgate, considerada exemplo máximo de equilíbrio facial no Reino Unido.
Ter traços harmoniosos ou aparência jovial pode ser vantajoso não só na vida amorosa, mas também na profissional. Carreira e beleza andam lado a lado para muitos, pois pessoas mais atraentes tendem a ser bem-sucedidas nos negócios, reforçando um ciclo em que sucesso e boa aparência se retroalimentam. Não por acaso, já na Antiguidade existiam rituais para destacar o que cada cultura via como belo: o Egito Antigo usava delineadores de chumbo, enquanto europeias de outras épocas ferviam carne de pombo para clarear a pele.
Com o avanço tecnológico, as práticas se sofisticaram: cirurgias plásticas, lipoaspiração, peelings, aplicações de toxina botulínica, preenchimentos e outros recursos passaram a ser acessíveis para um número cada vez maior de pessoas.
De acordo com a consultoria Allied Market Research, o mercado global de beauty & personal care (que inclui cosméticos, produtos de higiene e fragrâncias) pode chegar a cerca de US$ 758 bilhões em 2025. Já a Grand View Research projeta que o mercado global de cirurgia plástica e procedimentos estéticos atinja entre US$ 50 e 60 bilhões no mesmo período.
É verdade que os custos de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos invasivos variam muito conforme a estrutura hospitalar e o renome do cirurgião. Em média, uma mamo plastia pode custar entre R$ 13 mil e R$ 40 mil; uma rinoplastia, cerca de R$ 15 mil; e uma lipoenxertia glútea (o popular Brazilian Butt Lift) pode alcançar facilmente R$ 50 mil.
Entretanto, mesmo com esses valores astronômicos, o risco de complicações é real. Celebridades como Kim Kardashian, Linda Evangelista, Demi Lovato, Andressa Urach, Luma de Oliveira e Dani Calabresa passaram por procedimentos que não tiveram o resultado esperado ou puseram suas vidas em risco. Ao longo da história, práticas estéticas perigosas já custaram a saúde — e, em alguns casos, a vida — de muitas pessoas.
A obsessão pela juventude é o tema do filme A Substância (2024), estrelado por Demi Moore e indicado ao Oscar neste ano. Nele, a protagonista, inconformada com os efeitos do tempo em sua aparência, submete-se a um experimento que promete uma estética perfeita e uma versão mais jovem de si mesma. Como era de se esperar, os efeitos colaterais logo revelam o preço assustador dessa busca pela juventude e pela perfeição estética — algo que a própria Demi Moore enfrentou na vida real.

Para piorar, vivemos numa época que supervaloriza a juventude. Redes sociais e mídia propagam ideais de beleza praticamente inalcançáveis, transformando rugas, marcas de expressão e cabelos brancos em supostos “defeitos” ao invés de sinais de maturidade. Vemos idosos com dentes tão brancos quanto os de adolescentes, pele artificialmente lisa e traços faciais alterados em nome de uma perfeição que, na prática, nega a passagem natural do tempo.
Não há dúvida de que manter os cuidados pessoais é importante; porém, negar o próprio envelhecimento e lutar contra o tempo pode ser uma empreitada cara e arriscada. A verdadeira juventude não consiste em apagar as marcas do rosto, mas em cultivar a mente aberta, o corpo saudável e a experiência que somente muitos aniversários podem trazer.
Talvez devêssemos repensar nossas prioridades e prestar mais atenção à saúde integral, em vez de focarmos obsessivamente na aparência. Manter um estilo de vida ativo, com alimentação balanceada, prática de exercícios físicos e acompanhamento médico adequado, pode trazer benefícios reais tanto para o corpo quanto para a mente, prevenindo doenças e ampliando a qualidade de vida. Afinal, não adianta ter uma pele esticada se o restante da saúde está comprometido — cuidar do organismo como um todo pode ser a melhor forma de preservar a verdadeira juventude.
Da mesma forma, manter-se intelectualmente atualizado e receptivo às mudanças sociais é fundamental para evitar que nossa mente “envelheça” de maneira precoce ou se torne resistente a novos aprendizados. Ler, estudar, conversar com pessoas de diferentes gerações e culturas nos ajuda a incorporar avanços sociais e tecnológicos, bem como a aprimorar nossas visões de mundo. Assim, não apenas evitamos nos tornar alguém desagradável ao longo dos anos, como também garantimos que a experiência acumulada sirva para construir relações mais enriquecedoras e saudáveis.

Jurandir Sell Macedo
Doutor em Finanças Comportamentais com pós-doutorado em Psicologia Cognitiva, sendo pioneiro nesta área no Brasil. Nosso consultor na área financeira e previdenciária.