Saúde e Bem Estar

Valorize a sabedoria de quem trilhou os caminhos que você percorre

Data de Publicação: 22/01/25

O Dia do Aposentado, celebrado no Brasil em 24 de janeiro, foi criado em homenagem à Lei Eloy Chaves, assinada em 24 de janeiro de 1923, que instituiu a primeira lei brasileira de previdência social.

Este dia, em 2025, tem para mim um sabor especial, pois marca meu primeiro ano como aposentado. O mote da campanha da ELOS este ano é: “Valorize a sabedoria de quem trilhou os caminhos que você percorre. Mais empatia e respeito.”

Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, compreendendo seus sentimentos e perspectivas. Já o respeito é o reconhecimento e a valorização da dignidade, dos direitos e das opiniões do outro. Ambos se referem a sentimentos ou comportamentos de um indivíduo em relação ao outro. A campanha deste ano convida aqueles que ainda estão trilhando o caminho para a aposentadoria a valorizarem, serem empáticos e respeitosos com os aposentados.

O termo “aposentado” deriva de “aposento”, que historicamente significava “recolher-se a um local de repouso”. Isso reforça o estereótipo ultrapassado de inatividade, quando essa fase da vida pode, na verdade, ser de reinvenção e novas conquistas. Eu prefiro o termo espanhol “jubilado”, que vem de “júbilo”, derivado do latim, significando “grande alegria” ou “aclamação”.

Sim, o que nos une como aposentados é o sentimento de termos concluído uma importante fase da vida. Mas estamos longe de caber em uma única definição: não somos todos iguais. Cada um de nós tem objetivos e desejos únicos. Alguns veem essa etapa como uma oportunidade para desfrutar longas e merecidas férias; outros preferem continuar trabalhando e produzindo, enquanto muitos buscam um equilíbrio entre todas essas possibilidades.

Não nos encaixamos em rótulos. Queremos dançar, nos divertir, praticar esportes, namorar, descansar, viajar ou continuar trabalhando. O que não aceitamos é sermos excluídos da sociedade que ajudamos a construir. Recolher-se aos aposentos? Isso está fora de questão.

Quando falamos de empatia, não pedimos que nos vejam como vítimas, porque definitivamente não somos. Apenas quem tem sorte envelhece, e apenas quem foi responsável com o futuro consegue se aposentar com dignidade. Queremos que nos enxerguem além da idade e não nos limitem ou infantilizem. Já quando falamos de respeito, esperamos o reconhecimento de nossas contribuições passadas e das possibilidades de continuarmos contribuindo para o futuro.

Infelizmente, muitos aposentados enfrentam desafios como a exclusão social, o preconceito ligado à idade (etarismo) e dificuldades financeiras.

Dificuldades financeiras

Frequentemente, associamos problemas financeiros aos grupos de menor renda. Contudo, muitos aposentados da base da pirâmide conseguem se manter apenas com o INSS. Por outro lado, indivíduos de extratos econômicos mais altos, que não foram previdentes ao planejar para a longevidade, frequentemente enfrentam uma grande perda de poder aquisitivo ao parar de trabalhar. A ELOS, com 50 anos de história, tem orgulho de cuidar do futuro financeiro de seus participantes.

Etarismo

O etarismo é um preconceito, e todo preconceito reflete uma mentalidade limitada. Já passei por episódios claros de discriminação por idade, mas sempre olho com pena para quem age dessa forma. Como pena é um sentimento passivo, prefiro não gastar energia com essas pessoas. Prefiro concentrar minha energia em viver bem.

Exclusão social

A exclusão social tem dois lados. Fomos criados em uma época que pregava respeito aos mais velhos. Lembro de uma pessoa da nossa família com um temperamento difícil, e meu pai sempre dizia: “Seja tolerante, porque ela já é uma velha”. Naquela época, em que apenas 3% da população brasileira tinha mais de 60 anos, tolerar “azedumes” era mais fácil. Era como o “vinagre” da salada da vida.

Hoje, os 60+ representam 16% da população e, até 2050, serão 30%. Quem insistir em “azedar” vai acabar sozinho, porque ninguém terá paciência para tanto. Porém, é importante lembrar que muitos jovens também “azedam” precocemente; assim, azedar não é privilégio dos mais velhos.

Precisamos nos esforçar para sermos pessoas interessantes e bem-humoradas, com sede de viver, mesmo depois da aposentadoria. Manter interesses, sejam eles trabalho remunerado, atividades sociais ou hobbies, é essencial para uma longevidade saudável.

A importância de valorizar os aposentados

Uma sociedade que valoriza a sabedoria dos aposentados e aposentados que sabem aproveitar bem essa fase colhem benefícios mútuos. Além de fortalecer os laços entre gerações, isso cria uma cultura de respeito e cooperação. Os jovens se beneficiam do conhecimento acumulado pelos mais velhos, enquanto os aposentados ganham um senso renovado de propósito e pertencimento.

Ao valorizarmos a experiência e a sabedoria dos aposentados, estamos construindo uma sociedade mais solidária e equilibrada para todos. Afinal, todos os caminhos do futuro foram pavimentados por aqueles que vieram antes.

Jurandir Sell Macedo

Doutor em Finanças Comportamentais com pós-doutorado em Psicologia Cognitiva, sendo pioneiro nesta área no Brasil. Nosso consultor na área financeira e previdenciária.

jurandirsell.com.br