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O Trabalho, o Propósito e a Energia que sustenta o futuro

Data de Publicação: 30/04/26

Será que precisamos ser felizes no trabalho?

O Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, surgiu em homenagem à greve geral iniciada em Chicago, nos Estados Unidos, em 1886, quando milhares de trabalhadores reivindicavam a jornada de oito horas diárias e um dia de descanso semanal. Na época, eram comuns jornadas exaustivas de 10, 12, 14 ou até 16 horas por dia, sete dias por semana, muitas vezes em condições precárias e com pouca proteção legal.

Historicamente, a data simboliza a luta por jornadas mais justas, melhores condições e reconhecimento da dignidade de quem produz. Embora muito tenha avançado desde então, essas questões continuam atuais. No Brasil, por exemplo, discute-se hoje o fim da jornada 6×1.

Mas, além de salário, jornada e direitos, surgiu uma nova expectativa: a de que o trabalho, além de garantir sustento, também precise ser fonte permanente de felicidade.

A ideia parece atraente, mas pode ser enganosa.

Nem todo esforço é prazer, mas pode ter propósito

Toda atividade profissional, por mais admirada que seja, envolve momentos difíceis. Há pressão, rotina, burocracia, desgaste e tarefas pouco inspiradoras. Isso vale para executivos, professores e também para quem atua no setor elétrico, onde tantas vezes o trabalho exige disciplina, prontidão, risco e elevada responsabilidade.

Pense no eletricista que sai de casa de madrugada para restabelecer energia após uma tempestade. Pense no operador que monitora sistemas essenciais para evitar interrupções. Pense no técnico de manutenção que enfrenta chuva, calor e risco operacional para garantir que cidades inteiras continuem funcionando. É improvável que essas pessoas amem cada minuto da rotina. Mas é fácil perceber a grandeza do que fazem.

Sem esse trabalho silencioso e competente, hospitais e maternidades param, UTIs entram em colapso, empresas interrompem atividades, escolas são afetadas, alimentos se perdem e lares mergulham na escuridão.

Pergunte a um agricultor que planta batatas com ferramentas rudimentares, sem recursos para máquinas, se ele ama essa tarefa. Provavelmente não. Mas isso não significa que deteste o que faz. O que ele ama é o resultado do trabalho: colher, alimentar a família e conquistar uma vida mais digna.

O peso da obrigação de ser feliz

Vivemos em uma época em que felicidade e prazer são frequentemente tratados como obrigação. Se algo exige esforço ou causa desconforto, rapidamente surge a sensação de que há algo errado. No entanto, boa parte do que realmente importa na vida está em perceber o quanto nossas ações geram bem para outras pessoas, para a família, para a comunidade e para o futuro que desejamos construir.

A pergunta mais importante não é se amamos todas as tarefas do trabalho, mas se reconhecemos o propósito delas.

O que realmente sustenta o sentido do trabalho

Propósito é a percepção de que aquilo que fazemos tem sentido e contribui para algo maior do que a tarefa em si. É a ligação entre esforço e significado. Enquanto o prazer depende do quanto gostamos de uma atividade, o propósito nasce da convicção de que ela gera valor para o mundo. É ele que nos faz acordar todos os dias com vontade de contribuir para uma realidade melhor.

Durante muitos anos como professor, eu mostrava aos alunos a imagem de um homem carregando pedras e perguntava se aquilo poderia gerar propósito. Depois explicava: se ele estivesse carregando pedras para construir uma casa, um hospital ou uma escola, haveria sentido no esforço. Mas carregar pedras de um lado para outro, apenas para devolvê-las ao ponto inicial, seria uma forma de tortura. O propósito está no resultado do trabalho, não no esforço isolado.

Nem toda tarefa será prazerosa. Há relatórios, plantões, deslocamentos difíceis, reuniões cansativas, normas rígidas e imprevistos operacionais. Mas, quando compreendemos o valor do resultado, o esforço ganha outro significado. O propósito sustenta aquilo que o entusiasmo sozinho não sustenta.

Para muitos trabalhadores do setor elétrico, propósito significa algo muito concreto: saber que seu esforço mantém a energia circulando e a sociedade funcionando. É uma missão de enorme relevância social, ainda que nem sempre visível.

Há também outro aspecto importante do propósito: pensar além do presente.

Durante a vida profissional, transformamos conhecimento, experiência, disciplina e capacidade de trabalho em renda. Isso é o que chamamos de capital humano. Com o passar do tempo, esse capital tende a diminuir. Ao poupar parte da renda e investir com inteligência, convertemos capital humano em capital financeiro, capaz de sustentar uma vida digna no futuro.

Nosso propósito na Elos

A previdência complementar exerce papel central nesse processo. Na Elos, cuidar do futuro dos participantes e garantir o presente dos assistidos é, sem dúvida, fonte de propósito para todos que aqui trabalham.

Nossos planos permitem transformar parte do esforço de hoje em segurança futura. E essa proteção vai além da aposentadoria. Ela traz tranquilidade ao saber que, se algo não sair como esperado, a família estará mais protegida. Reduz incertezas, preserva autonomia e gera paz de espírito no presente.

Para os participantes da Elos, esse conceito tem ainda mais força. Trata-se de uma fundação nascida da cultura de planejamento e responsabilidade de profissionais acostumados a lidar com sistemas complexos, riscos relevantes e visão de longo prazo. Quem trabalha com energia sabe que estabilidade não acontece por acaso. Ela precisa ser construída.

O mesmo vale para a vida financeira.

Assim como uma rede elétrica robusta depende de manutenção, investimento e prevenção, o futuro pessoal também depende de escolhas consistentes ao longo do tempo. Não se improvisa segurança na última hora.

Neste Dia do Trabalho, vale lembrar que dignidade profissional não exige amar cada detalhe da rotina. Existem dias difíceis em qualquer carreira. O que faz diferença é perceber que nosso esforço serve a algo maior.

Que neste 1º de maio possamos reconhecer o valor de quem trabalha, especialmente daqueles que mantêm a energia do país funcionando, muitas vezes longe dos holofotes. E que possamos lembrar de uma verdade essencial: trabalhar é importante, mas transformar trabalho em proteção, patrimônio e tranquilidade futura é sabedoria.

Desejo que o Dia do Trabalho de 2026 nos inspire a seguir construindo, com esforço e propósito, um futuro mais seguro para todos.

Jurandir Sell Macedo

Doutor em Finanças Comportamentais com pós-doutorado em Psicologia Cognitiva, sendo pioneiro nesta área no Brasil. Nosso consultor na área financeira e previdenciária.

jurandirsell.com.br