Neste ano, minha esposa e eu decidimos aproveitar a chegada da Copa do Mundo de futebol para trazer um pouco do mundo corporativo para a rotina dos nossos dois filhos, Mateus, de 11 anos, e Bernardo, de 9.
Aqui em casa, nós quatro somos apaixonados por futebol. Assistimos aos campeonatos dos nossos times do coração, Corinthians e São Paulo, jogamos videogame de futebol e, quando aproveitamos o fim de semana para passear em família, a bola quase sempre vai junto.
Eu e minha esposa somos administradores de formação e trabalhamos no mundo corporativo há mais de 15 anos. Estamos acostumados a lidar com metas, trabalho em equipe, governança, combinados claros e reconhecimento por desempenho. Por isso, resolvemos testar uma ideia em casa: aplicar alguns desses conceitos na rotina dos meninos, usando como motivação algo que eles amam tanto quanto nós, o futebol e o álbum da Copa do Mundo.
Como bons amantes do esporte, compramos o álbum para colecionar em família. Mas logo surgiram algumas perguntas: como mostrar às crianças que as figurinhas não “caem da árvore”? Como ajudá-las a dar mais valor ao investimento que existe por trás de uma coleção? E, ao mesmo tempo, como estimular mais colaboração nas atividades da casa?
Foi assim que criamos um quadro com sete metas, individuais e compartilhadas. A cada entrega realizada, os meninos ganham pontos. As atividades acontecem ao longo da semana e, ao fim de cada dia, fazemos juntos um fechamento para avaliar quantos pontos foram conquistados. No encerramento da semana, somamos os resultados e verificamos quantos pacotinhos de figurinhas eles terão direito a receber.

Também criamos algumas regras para quando os combinados não são cumpridos. Se receberem um registro da escola por mau comportamento, perdem dois pontos. Se brigarem, perdem cinco. Se mentirem, perdem todos os pontos da semana. A ideia não é apenas punir, mas mostrar que escolhas têm consequências, assim como acontece em muitos aspectos da vida.
Estamos com esse sistema há quase um mês e confesso: nunca nossa casa esteve tão organizada. Eles passaram a se engajar de forma coletiva, ficaram mais proativos nas tarefas do dia a dia, começaram a pensar em estratégias para ganhar mais pontos e, até agora, não perderam nenhum sequer.
O mais interessante é perceber que, por trás de uma brincadeira aparentemente simples, surgiram aprendizados importantes. Eles entenderam que existe esforço antes da recompensa, que organização ajuda a alcançar objetivos e que colaborar em casa também faz parte da vida em família. De quebra, estamos colecionando figurinhas juntos, com disciplina, diálogo e controle orçamentário.

No fim das contas, unimos algumas das coisas que mais gostamos: futebol, convivência em família e organização. Transformamos o álbum da Copa em uma oportunidade para falar sobre responsabilidade, planejamento e consciência financeira, sem deixar de lado a alegria de abrir cada pacotinho e torcer para vir aquela figurinha tão esperada.
E talvez seja essa a principal lição: quando o aprendizado faz sentido para a realidade das crianças, ele deixa de ser obrigação e passa a fazer parte da rotina de forma leve, divertida e compartilhada.

Leonardo Galluzzi Sansivieri
Gerente de Investimentos na ELOS e Mestre em Planejamento e Controle de Gestão pela UFSC. Possui especializações em Gestão Estratégica de Pessoas, Finanças e Mercado Financeiro e Banking. Tem uma carreira sólida no mercado financeiro, com ampla experiência em bancos e em entidades de previdência complementar.