Finanças e previdência

IR 2024: aproveite para fazer um raio-X da sua saúde financeira

Data de Publicação: 13/05/25

Está chegando aquele momento do ano: 31 de maio, prazo final para entregar a Declaração de Imposto de Renda de 2024. Para alguns, essa tarefa é simples e direta. Outros preferem deixar nas mãos de um contador.

Mesmo com a facilidade das declarações pré-preenchidas, é preciso atenção redobrada. Elas podem conter erros, como valores divergentes ou dados incompletos, e exigem revisão cuidadosa por parte do contribuinte. A Receita Federal reforça que a responsabilidade final é do próprio declarante, que deve conferir tudo com base nos seus comprovantes, já que os dados serão cruzados posteriormente. Sendo assim, para muita gente, a declaração continua sendo sinônimo de estresse e ansiedade.

Independentemente de como você encara essa obrigação, existe um ponto muito importante que passa despercebido por muitos contribuintes. Vamos olhar para a declaração de um jeito diferente, como uma ferramenta poderosa para avaliar e planejar sua vida financeira.

Basicamente, a declaração tem três etapas:

  1. Primeiro, você faz uma “fotografia” do seu patrimônio em 31 de dezembro de 2023, detalhando bens, direitos e dívidas. Se já declarou antes, basta importar essas informações do ano anterior;
  2. Depois, você registra tudo o que ganhou e gastou ao longo de 2024. É como assistir um “filme” das suas finanças durante o ano;
  3. Por último, você tira outra “fotografia” do seu patrimônio em 31 de dezembro de 2024.

Esse processo, repetido anualmente, permite uma análise poderosa e prática sobre sua vida financeira. Aqui estão quatro perguntas importantes que você deveria se fazer ao terminar a declaração:

  • Meu patrimônio cresceu, permaneceu igual ou diminuiu?             
    Comparando os patrimônios em 31/12/2023 com o de 31/12/2024, você consegue saber exatamente como está sua saúde financeira. É uma oportunidade clara para ajustar o que for preciso para melhorar no ano seguinte.
  • Quanto sobrou de verdade do que ganhei? 
    Ao comparar sua renda total com suas despesas, você descobre se realmente conseguiu poupar. Pense nisso: para ganhar dinheiro, trocamos tempo de vida por renda. Se ao fim do ano você não tiver guardado pelo menos 12% do que ganhou, talvez precise rever seus hábitos financeiros.
  • Meus investimentos renderam o esperado?            
    A declaração permite avaliar se seus investimentos tiveram desempenho satisfatório. Eles devem, no mínimo, superar a inflação e a taxa SELIC. Se isso não aconteceu, talvez seja hora de rever sua estratégia de investimentos.
  • Estou aproveitando bem as vantagens tributárias?             
    Este ponto merece atenção especial. Muitos desconhecem estratégias legais para reduzir impostos, conhecidas como elisão fiscal (não confundir com evasão fiscal, que é ilegal!). A elisão inclui escolher regimes tributários mais favoráveis, planejar receitas e despesas, e investir em áreas com incentivos fiscais.

Uma das maneiras mais eficazes e simples para reduzir impostos é investir em planos de previdência privada.

Se você utiliza a declaração completa e investe num plano PGBL ou num plano fechado de previdência privada como os da ELOS, pode deduzir até 12% da sua renda bruta anual. Por exemplo, se em 2024 você teve uma renda de R$120 mil e investiu 12% disso (R$14.400), na declaração será tributado apenas sobre R$105.600. Isso poderia significar uma economia de quase R$4 mil em impostos! Na prática, além de garantir seu futuro, você ainda economiza dinheiro no presente.

Entendeu como pode ser vantajoso incluir um plano de previdência privada na sua estratégia financeira? Não apenas você organiza melhor seu futuro, mas também aproveita benefícios fiscais significativos no presente.

Então, não veja a declaração do Imposto de Renda apenas como uma obrigação burocrática e desgastante. Use-a como uma ferramenta estratégica, como um check-up financeiro anual. Mesmo que você prefira a ajuda de um especialista, jamais delegue totalmente a responsabilidade. Revisar e entender bem sua situação financeira anualmente fará você tomar decisões mais conscientes e acertadas.

Por fim, lembre-se de uma coisa importante: nosso “capital humano” – nossa capacidade de gerar renda – diminui com o tempo. A cada ano, temos menos anos pela frente para transformar nosso tempo em dinheiro. Por isso, é essencial aumentar nosso “capital financeiro” ao longo dos anos. Assim, poderemos, eventualmente, parar de depender do trabalho e viver do que acumulamos.

Que tal aproveitar essa declaração para refletir melhor sobre suas escolhas financeiras? Afinal, um pouco mais de planejamento hoje pode fazer uma enorme diferença amanhã.

Jurandir Sell Macedo

Doutor em Finanças Comportamentais com pós-doutorado em Psicologia Cognitiva, sendo pioneiro nesta área no Brasil. Nosso consultor na área financeira e previdenciária.

jurandirsell.com.br