Finanças e previdência

Investir em imóveis ainda é o melhor negócio para proteger seu futuro?

Data de Publicação: 08/05/25

Durante muito tempo, investir em imóveis foi sinônimo de sucesso no Brasil. Quem comprou terrenos e apartamentos nas cidades ganhou muito dinheiro. Por isso, é normal que muita gente, principalmente quem já passou dos 50 anos, ainda veja o mercado imobiliário como o investimento mais seguro para o futuro. Mas será que hoje essa estratégia continua sendo a melhor escolha?

Para entender essa questão, é preciso olhar para a história do nosso país.

Quando nasci, em 1961, o Brasil tinha 71 milhões de habitantes. Naquele tempo, 55% da população vivia no campo e 45% nas cidades. As famílias eram grandes: cada mulher tinha, em média, 6 filhos. Mais da metade da população tinha menos de 20 anos e apenas 5% tinha mais de 60. Éramos um país jovem, rural e que crescia rapidamente.

Ao longo das décadas seguintes, o Brasil se transformou. Hoje, 87% da população vive nas cidades e somos muito mais velhos: 28% têm menos de 20 anos e 15% já têm mais de 60. Em vez de crescer aceleradamente, o país começa a se preparar para um futuro de envelhecimento populacional.

Esse movimento urbano foi responsável por um verdadeiro “boom” imobiliário. De 1961 até 2022, o número de brasileiros vivendo em áreas urbanas cresceu mais de 460%. Se olharmos apenas para os adultos nas cidades — já que os jovens moram com os pais —, o crescimento foi ainda mais impressionante: cerca de 760%!

Com tanta gente chegando nas cidades, o valor dos terrenos e dos imóveis urbanos disparou. Quem comprou bem, de fato, ganhou muito dinheiro.

Mas, e agora?

A partir dos anos 2000, a história começou a mudar. A taxa de fecundidade — que já era de 6 filhos por mulher nos anos 60 — caiu para 2,1 em 2002, o que é exatamente o número necessário para a população se manter estável. E continuou caindo: em 2021 já era de 1,64; em 2023, 1,6; e a previsão para 2024 é de 1,58 filhos por mulher.

Com essa tendência, o crescimento populacional vai parar e, depois, deve começar a cair. Alguns estudos mostram que, depois de 2036, a população brasileira pode encolher rapidamente. Em 2100, o Brasil pode ter cerca de 156 milhões de habitantes — menos do que hoje.

E o que isso tem a ver com investir em imóveis?

Tudo. Se a população cresce, a demanda por moradia aumenta. Mas se a população diminui, essa pressão diminui também — e, com ela, a valorização dos imóveis pode parar ou até mesmo inverter.

Alguns argumentam que ainda existe um déficit habitacional no Brasil — estimado em cerca de 5 milhões de casas. Isso é verdade. Mas também é verdade que há muitos terrenos e imóveis parados, guardados por investidores que apostam na valorização. Se a procura cair, esses imóveis podem ser colocados no mercado de uma vez, derrubando ainda mais os preços.

Outro ponto importante, muitas vezes esquecido: os custos de manter imóveis.

Ter uma casa ou apartamento parado não é custo zero. Pelo contrário: IPTU, condomínio, manutenção, reforma, pintura, seguros, taxas diversas… tudo isso pesa no bolso. E imóvel que não é bem cuidado se desvaloriza com o tempo.

E na hora de passar para os filhos?

O processo é ainda mais caro e demorado.

Quando uma pessoa falece, a transferência de imóveis para os herdeiros exige um inventário — que envolve cartório, advogado, juiz, impostos como o ITCMD, registro de transmissão…
Dependendo do estado, esses custos podem consumir de 10% a 20% (ou até mais) do valor do imóvel.

Vale a pena carregar todo esse custo e trabalho?

Por isso, cada vez mais famílias estão optando por uma alternativa moderna e eficiente: a previdência complementar, como os planos oferecidos pela Fundação Elos.

Com a previdência, o dinheiro é transmitido diretamente aos beneficiários escolhidos, sem inventário, sem briga, sem burocracia. Os custos são muito mais baixos, o processo é rápido e ainda é possível estabelecer regras claras para a liberação dos recursos — como parcelas mensais, por exemplo, ajudando a preservar o patrimônio no longo prazo.

É natural querer confiar nas estratégias que deram certo no passado. Mas o mundo mudou — e mudar a forma de investir é sinal de inteligência e cuidado com quem você ama. Antes de apostar tudo em imóveis, vale a pena conhecer outras opções que garantem segurança, economia e tranquilidade para você e para sua família.

Jurandir Sell Macedo

Doutor em Finanças Comportamentais com pós-doutorado em Psicologia Cognitiva, sendo pioneiro nesta área no Brasil. Nosso consultor na área financeira e previdenciária.

jurandirsell.com.br