Saúde e Bem Estar

Baby Boomers: entre o vinil e a inteligência artificial

Data de Publicação: 23/04/25

Os Baby Boomers — geração nascida entre o fim da Segunda Guerra Mundial e meados da década de 1960 — são os protagonistas de uma transformação sem precedentes. Nunca antes uma geração testemunhou tantas mudanças em tão pouco tempo: nasceram num mundo analógico, aprenderam a escrever em máquinas de datilografar, usaram papel carbono, viveram a chegada do telefone fixo, do computador pessoal, da internet discada, dos celulares, dos smartphones, das redes sociais e agora encaram, de frente, a inteligência artificial.

É natural que, diante de tantas mudanças, muitos sintam saudades de como as coisas eram. Existe até um nome técnico para isso: o viés da positividade da memória retrógrada. Trata-se da tendência de lembrarmos do passado como se fosse melhor do que realmente foi, idealizando momentos bons e esquecendo os desafios enfrentados.

Esse sentimento pode levar ao clássico “no meu tempo era melhor”. Mas essa frase carrega um engano: se você está vivo, este ainda é o seu tempo. O presente pode parecer confuso e veloz, mas também é cheio de possibilidades — principalmente para quem está disposto a continuar aprendendo.

A adaptação as mudanças sociais e às novas tecnologias é um desafio real, especialmente para quem nasceu num mundo tão diferente. Mas com curiosidade, paciência e uma pitada de coragem, é possível transformar a tecnologia em uma aliada poderosa: ela aproxima a família, facilita o dia a dia, traz informação, lazer e até ajuda a cuidar da saúde.

Entre todas as mudanças que os boomers viveram, uma das mais impactantes é o envelhecimento da população brasileira. Quando essa geração nasceu, o Brasil era um país jovem — em 1970, a idade média era de 19 anos. Hoje, já ultrapassou os 33, e em poucos anos os idosos representarão 30% da população.

Isso muda tudo. No passado, com poucos idosos, era natural que os jovens fossem mais tolerantes com os mais velhos, mesmo quando estes ficavam ranzinzas — ou “azedavam”, como se diz no popular. Como afirmou o professor Jurandir Sell, ele mesmo um boomer 60+, numa palestra recente aqui na ELOS: “No passado, um velho azedava e virava o vinagre da salada da vida. Hoje, com tantos velhos, ninguém mais vai nos tolerar se azedarmos”. Em seguida, completou com bom humor: “Os homens são como os vinhos: a idade azeda os maus e apura os bons”.

Diante disso, é fundamental que os boomers escolham ser pessoas do seu tempo. Isso não significa aderir a todas as modas, nem virar especialistas em tecnologia. Significa manter-se curioso, aberto ao novo, as novas tecnologias, aos novos comportamentos, disposto a aprender — e a se reinventar.

Hoje, negar a tecnologia é, em certa medida, como recusar aprender a ler há 100 anos. Quem não se atualiza pode acabar excluído — da informação, dos serviços, dos cuidados de saúde, do convívio com a família. A exclusão digital é a nova forma de isolamento. Por isso, é tão importante que os idosos não se coloquem à margem.

Ser do seu tempo é tomar pequenas atitudes no dia a dia: entrar nas redes socais, pedir um carro por aplicativo, fazer uma compra online, ouvir um podcast, estar sempre aberto a aprender algo novo. São gestos simples que ampliam a autonomia, fortalecem vínculos e ajudam a viver com mais liberdade.

O protagonismo da longevidade depende dessas escolhas. Viver mais não basta — é preciso viver com propósito, com utilidade, com alegria. E isso exige movimento, presença, interesse. O mundo vai continuar mudando — e quem já atravessou tantas transformações como os Baby Boomers atravessaram, com certeza tem força para continuar evoluindo.

A pergunta que fica é: você vai ser uma pessoa do passado — ou uma pessoa do seu tempo?