Em ação da Global Money Week, levamos educação financeira a alunos do 9º ano e reforçamos a importância de iniciar esse debate ainda na infância
Para muitos jovens, as primeiras decisões financeiras chegam antes mesmo de qualquer orientação.
Foi a partir dessa constatação que levamos uma palestra sobre educação financeira para cerca de 60 alunos do 9º ano da Escola Básica Municipal Beatriz de Souza Brito de Florianópolis, no dia 16 de março. A atividade integrou a programação da Global Money Week, campanha internacional que incentiva crianças e adolescentes a desenvolverem uma relação mais consciente com o dinheiro.
Na prática, o encontro foi menos sobre teoria e mais sobre realidade.
Conduzida pelo analista de investimentos Bruno Ribeiro, a conversa percorreu temas como a história do dinheiro, noções básicas de investimento e, principalmente, escolhas do dia a dia. Em uma das dinâmicas, os estudantes foram convidados a organizar um salário fictício, simulando um orçamento doméstico. Eles precisaram priorizar despesas essenciais, lidando com imprevistos, mas ainda assim, pensando em lazer, o valor do tempo e do planejamento para o futuro.
O exercício mostrou algo que nem sempre está evidente: decidir o que fazer com o dinheiro envolve escolhas e, muitas vezes, renúncias.
“Foi muito bom estar com eles e levar conhecimento de forma simples. Dá um senso de propósito ver que algo que parece básico para gente faz tanto sentido para eles”, conta Bruno. “Acho que isso precisa começar cedo, porque a vida já cobra decisões antes mesmo de alguém ensinar.”
A reação dos alunos chamou atenção de quem acompanhou a atividade. “Durante a troca, o que mais me marcou foi o interesse genuíno e a curiosidade deles em entender como o dinheiro pode ser melhor utilizado”, relata Crisleine Marques, analista de gente e gestão da ELOS, que também participou da ação. “Isso reforça o quanto a educação financeira ainda é pouco explorada, principalmente nas escolas públicas – e como faz falta. Eu mesma não tive esse acesso enquanto estudante.”
Embora o tema esteja previsto como conteúdo transversal na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), sua aplicação ainda é desigual. Em muitas escolas, o contato com educação financeira acontece de forma pontual, geralmente vinculado a conteúdos de matemática, o que limita a discussão sobre comportamento, planejamento e tomada de decisão.
É nessa lacuna que iniciativas como a Global Money Week ganham relevância.
Em sua 14ª edição, a campanha, organizada mundialmente pela OCDE e, no Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), tem como tema “Falar de Dinheiro Transforma”. A proposta é justamente incentivar conversas mais abertas sobre finanças, quebrando o tabu que ainda envolve o assunto.
Ao longo de 13 edições, a iniciativa já alcançou mais de 71 milhões de crianças e jovens em 176 países. Para além de ensinar conceitos, o objetivo é ampliar repertórios.

Quando o tema entra em sala de aula, ele não se limita ao ambiente escolar. “Esse tipo de dinâmica acaba chegando em casa, vira conversa com a família e começa a gerar pequenas mudanças no dia a dia”, observa Bruno. “É um impacto que se espalha.”
A dimensão desse efeito também é pessoal. “Vindo de escola pública e hoje tendo a oportunidade de trabalhar com mercado financeiro, sinto uma motivação enorme em poder devolver para a sociedade a chance de aprender algo que ainda não é trivial no Brasil, marcado por desigualdades de oportunidades”, afirma. “É uma forma de retribuir e ajudar a abrir caminhos.”
Falar sobre dinheiro com crianças e adolescentes não é apenas antecipar um conteúdo da vida adulta. Também significa desenvolver senso de responsabilidade, capacidade de planejamento e pensamento crítico, habilidades que ultrapassam o campo financeiro.
Ao entender que o dinheiro é um recurso limitado, que exige escolhas e organização, esses jovens passam a construir uma relação mais consciente com consumo, objetivos e futuro.
E, nesse processo, o aprendizado envolve autonomia, segurança e a possibilidade de tomar decisões com mais clareza – mesmo em um cenário em que o acesso à informação ainda não é igual para todos.
Ao participar da Global Money Week, reforçamos nosso compromisso com a educação financeira como ferramenta de transformação, ampliando o alcance desse debate para além do público tradicional e contribuindo para a formação de uma geração mais preparada para lidar com o dinheiro e com as escolhas que vêm junto com ele.
Esta foi a primeira vez que participamos da iniciativa, mas a educação financeira é um tema permanente em nossas ações. Em maio, participaremos da Semana Nacional de Educação Financeira, que neste ano tem como tema “Educação Financeira: construindo um futuro com longevidade e prosperidade”.